Após 74 dias preso, jovem absolvido afirma que tentava recuperar corrente de ouro roubada

  • 30/05/2026
(Foto: Reprodução)
Wesley (à esq.) foi acusado de um roubo de corrente em Praia Grande que deixou vítima (à dir.) ferida. Reprodução Wesley de Andrade Ribeiro, de 18 anos, foi solto após passar 74 dias preso acusado de roubo em Praia Grande, no litoral de São Paulo. A Justiça absolveu o jovem das acusações de roubo e corrupção de menores ao concluir que não havia provas suficientes para condená-lo. A decisão foi proferida pela 1ª Vara Criminal de Praia Grande em 22 de maio. Na sentença, o juiz Rhuan Dergley da Silva também apontou falhas no reconhecimento dos suspeitos e destacou a fragilidade das provas apresentadas durante o processo. Ainda cabe recurso, mas o g1 não obteve informações com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre eventual intenção de recorrer. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. À equipe de reportagem, Wesley disse que não esperava ser absolvido e afirmou acreditar que a cor da sua pele influenciou contra ele durante o caso. “Tenho certeza de que, se eu tivesse nascido com uma cor mais clara, eu nunca passaria por essa situação”, declarou. Quando foi preso, ele disse que apenas corria atrás dos criminosos para ajudar a recuperar uma corrente de ouro que havia sido roubada (confira como foi o crime abaixo). Agora no g1 Sobre a sentença Segundo o magistrado, o reconhecimento dos suspeitos ocorreu logo após a abordagem da Guarda Civil Municipal (GCM), sem o rigor necessário das cautelas legais. A vítima também não conseguiu apontar quem puxou a corrente no momento do crime. Outro ponto destacado na decisão foi que os guardas municipais não presenciaram o roubo. Os agentes abordaram os suspeitos apenas após vê-los correndo pela orla da praia, momentos depois da ação. O juiz apontou que nenhum objeto foi encontrado com Wesley e o outro acusado durante a abordagem. A corrente acabou localizada posteriormente na calçada, após a perseguição feita pela vítima. Diante disso, aplicou o princípio do “in dubio pro reo”, utilizado quando não há provas suficientes para condenação. O crime O caso aconteceu em 8 de março, na Avenida Presidente Castelo Branco, no bairro Nova Mirim. Segundo o boletim de ocorrência, a vítima estava sentada na orla da praia com a filha quando sentiu um puxão na corrente que usava no pescoço. Após a ação, quatro pessoas fugiram, algumas de bicicleta e outras a pé. Ainda conforme o registro policial, a vítima perseguiu os suspeitos e viu um deles jogar a corrente no chão durante a fuga. O objeto, avaliado em R$ 1,8 mil, foi recuperado, mas o pingente não foi encontrado. A vítima afirmou à polícia que estava olhando para o celular no momento do “bote” e, por isso, não conseguiu identificar quem puxou a corrente. O homem também relatou ter sofrido lesões na região do pescoço durante a ação. Mesmo após ter alegado não ter visto os criminosos, a vítima reconheceu os abordados pela Guarda Civil Municipal como participantes da ação. Segundo o relato, os envolvidos gritavam “vai, vamos” enquanto fugiam pela orla da praia. De acordo com o depoimento dos guardas municipais, a equipe realizava patrulhamento pela orla quando viu quatro pessoas correndo em alta velocidade. Os suspeitos foram abordados pouco depois e, em seguida, apontados pela vítima. No boletim de ocorrência, os adolescentes apreendidos confessaram participação no ato infracional. Um deles afirmou que o outro adolescente foi responsável por puxar a corrente da vítima durante a ação. Já Wesley e o outro acusado negaram envolvimento no crime. Em depoimento, os dois disseram que apenas correram atrás dos autores “na intenção de realizar a detenção”. Prisão Wesley afirmou que ficou abalado no momento em que soube que seria levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP). “Quando cheguei à delegacia e descobri que iria ter que passar pelo CDP, meu subconsciente me dominou totalmente. Foi um momento em que tive diversos tipos de sentimentos e emoções”, disse. O jovem também afirmou que um dos momentos mais difíceis foi ver o sofrimento da família durante as visitas. “Eu estava de um lado das grades e eles do outro”, relatou. Apesar do período que passou preso, Wesley afirmou que pretende seguir os mesmos objetivos que tinha antes da prisão e reconstruir a rotina ao lado da família. “Meus planos continuam os mesmos: dar tudo de bom e do melhor para minha família, não deixar ela passar vontade, conquistar minhas coisas sem pegar nada de ninguém e construir minha própria família”, disse. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/05/30/apos-74-dias-preso-jovem-absolvido-afirma-que-tentava-recuperar-corrente-de-ouro-roubada.ghtml


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