Caravelas-portuguesas 'invadem' praia do litoral de SP e biólogo alerta: ‘fascinante e perigoso’
01/01/2026
(Foto: Reprodução) Caravelas-portuguesas são flagradas em praia do litoral de SP
Diversas caravelas-portuguesas (Physalia physalis) foram encontradas em uma praia de Peruíbe, no litoral de São Paulo. Ao g1, o biólogo marinho Eric Comin informou que a presença dos organismos é comum na Baixada Santista nessa época do ano e requer atenção redobrada de banhistas.
“Como a gente tem um aumento de banhistas nas praias, é importante que essas pessoas observem antes de entrar na água”, afirmou o especialista em entrevista ao g1, que descreveu a espécie como “organismo marinho fascinando e perigoso”.
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Ao todo, dez caravelas-portuguesas foram flagradas pelo professor aposentado José de Matos Martins, de 75 anos, em um trecho de 800 metros na praia do Centro, na terça-feira (3).
“Também vi um rapaz saindo da água desesperado, dizendo que tinha sido queimado por uma água-viva, no caso, uma caravela”, relembrou o aposentado.
Caravelas-portuguesas foram flagradas em praia de Peruíbe (SP)
Arquivo Pessoal/José de Matos
José contou que já havia visto o organismo em outras ocasiões, mas foi a primeira vez que viu tantas caravelas junto. Ainda segundo ele, outros moradores contaram ter visto a espécie em toda extensão da orla da cidade.
Segundo o biólogo, as caravelas-portuguesas são frequentemente confundidas com águas-vivas, mas possuem características únicas e são comuns na região nessa época do ano devido à presença da Água Central do Atlântico Sul (Acas).
“É uma água rica em nutrientes, que vem na primavera e verão. Essas caravelas vêm com a Acas e a ocorrência delas acaba se tornando extremamente comum”, alertou, dizendo que é necessário atenção para não se ferir com o organismo.
Características
Segundo Comin, os tentáculos das caravelas possuem uma substância urticante, que serve para captura de alimento, mas pode ser perigosa em contato com humanos. “Em contato com a pele, causa uma queimadura", afirmou.
De acordo com ele, a substância é perigosa até quando as caravelas estão mortas. “A recomendação nessa situação é não mexer e chamar um guarda-vidas ou alguém de um órgão ambiental que saiba como manipular. Eu, como biólogo e como humano, vejo que é importante retornar esse animal para água”, disse.
Orientações
Comin afirmou que, em caso de queimaduras, o indicado é retirar a vítima da água e, em casos graves, encaminhá-la a um hospital. No entanto, há uma série de outras recomendações para casos mais leves. Confira:
Não coçar o ferimento;
Não passar areia;
Não jogar água doce;
Usar vinagre, porque ele quebra a proteína da substância urticante.
“É recomendado a pessoa pegar uma cumbuquinha e um barbeador, molhar esse barbeador no vinagre e passar para retirar os tentáculos”, disse.
GBMar
O GBMar informou que não possui registros de ocorrências envolvendo caravelas-portuguesas em Peruíbe. "Os registros oficiais priorizam informações referentes a ações de prevenção, salvamento, vítimas salvas e óbitos por afogamento".