‘É bem mais difícil’: campeão de taekwondo revela desafio ao virar ator e voltar a viver Tora Pleura

  • 27/09/2026
(Foto: Reprodução)
Ator e mestre de taekwondo Fábio Goulart, de 61 anos, interpretou o personagem Tora Pleura no filme “O Shaolin do Sertão" Arquivo e Reprodução O ator e mestre de taekwondo Fábio Goulart, de 61 anos, voltou a interpretar o personagem Tora Pleura no filme “O Shaolin do Sertão 2", que estreou no mês de agosto nos cinemas. Conhecido pela trajetória de destaque no esporte, com títulos internacionais pelo Brasil, ele vive agora uma nova fase do personagem, que deixa de ser vilão e passa a acompanhar o protagonista durante a história. Nascido em Limeira (SP), Fábio chegou a Santos, no litoral de São Paulo, em 1976 e começou a praticar taekwondo na cidade. Primeiro atleta a conquistar uma medalha de ouro para o Brasil em competições internacionais, há 35 anos, ele construiu uma carreira no esporte e abriu uma academia voltada para crianças. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. A transição dos tatames para as telas começou aos 50 anos e já rendeu sete trabalhos no cinema e na televisão. No novo "Shaolin do Sertão", porém, Fábio afirmou que encontrou um desafio diferente: Tora Pleura ganhou mais espaço na trama e passou a acompanhar o protagonista durante todo o filme. Apesar dos títulos conquistados no esporte, Fábio afirmou que construir uma carreira como ator foi um desafio maior do que chegar ao topo do taekwondo. "Conquistar o espaço como ator é bem mais difícil", disse. Confira a entrevista completa abaixo: Tony Tora Pleura; Piolho; O Shaolin do Sertão; cinema Divulgação Fábio, você nasceu em Limeira (SP). De onde veio a sua forte ligação com Santos (SP)? Em quais projetos você está trabalhando atualmente? Vim para cá em 1976. Já sou cidadão santista, tenho título recebido através do vereador Hugo Duppre, então sou cidadão santista. Vim para cá, comecei o taekwondo em 1981 para 1982 e desde então não parei mais, estou até hoje nisso daí. Meus projetos futuros, primeiro estou passando minha academia para o meu sobrinho, Murilo. E no próximo ano nós temos um novo filme que nós gravamos. Já foi filmado, que vai para o cinema e depois vai para a Disney+. Chama-se "A Grande Virada". Eu faço um outro lutador. São quatro amigos que ganham uma Mega-Sena da Virada, dão uma festa e perdem o bilhete. Então a saga é para achar esse bilhete, ver quem roubou. Eu e mais dois [atores] somos palhaços de um circo, que são lutadores. E eles acham o nariz de um palhaço na festa, então eles acham que os palhaços que roubaram, e assim é desenvolvido o filme. Eu fui morar nos Estados Unidos, mas Santos para mim é a primeira cidade para se morar. A segunda é Fortaleza, que é onde eu gravo o filme, quando eu faço os filmes lá, eu adoro Fortaleza. Mas Santos, eu tenho essa relação muito forte com Santos. Primeiro porque em Limeira eu já era santista, eu torcia para o Santos já. E via Clodoaldo, Mané Maria, todos os meus botões, jogando jogo de botões. E hoje são grandes amigos meus, principalmente o Mané Maria, que é um grande amigo meu. Então eu tive a oportunidade de conhecer os meus ídolos do futebol. Então essa relação é muito forte, meus sobrinhos nasceram aqui, minha filha nasceu aqui. Então praticamente eu sou santista e voltei para cá. Fábio Goulart em "O Shaolin do Sertão 2" Edmilson Filho Você comanda uma academia de taekwondo em Santos. Como conciliou essa atividade com os trabalhos como ator? Quando eu fui para os Estados Unidos, eu montei um estúdio na minha casa nos Estados Unidos. Coloquei uns monitores aqui na academia, em Santos, e meu sobrinho tomava conta. Eu dava aula de lá para cá. Isso em 2013. Então, quando houve a pandemia, eu só tive que reverter. Eu dava aula da minha academia para a casa de todo mundo. Então para a gente foi muito fácil nessa época, já estava acostumado. E, durante o meu treinamento, que foi muito forte, os três meses que eu treinei para o Tora Pleura, que é o meu personagem do primeiro [filme do Shaolin], eu tive que fazer musculação, muito pesado, comer direito e tal. Eu descansei bastante, eu só dava realmente a aula das crianças. Mas eu continuei, continuo normal, fico na aula das crianças, que é o que mais me agrada. Então não teve impacto nenhum. Pelo contrário, para a academia foi muito bom. Você foi campeão pan-americano de taekwondo, numa época que o Brasil não era tão reconhecido na modalidade. Como você enxerga o taekwondo hoje no Brasil? Eu meio que abri as portas para que o Comitê Olímpico visse o taekwondo de uma maneira diferenciada, tanto em 1990, principalmente em 1991 nos Jogos Pan-Americanos. Então foi só o pontapé inicial. Depois de mim, nós tivemos a Natália Falavigna, que para mim foi a grande atleta até hoje. E agora nós temos grandes chances, já temos outros campeões mundiais, sem ser a Natália. Temos a Maria Clara, que é daqui de Santos, que era aluna do Mestre Rodney. E não só na parte do taekwondo uma atleta, na parte diretiva, nós temos o Henrique Precioso, que é diretor técnico da Confederação. Temos o Belmiro Giordani, que é um grande mestre aqui em Santos, que saiu da minha academia, Rodney Saraiva. Então isso tudo, essa participação, eu acho que foi importante para que o taekwondo se desenvolvesse e chegasse onde está hoje. Você saiu de uma carreira de alto rendimento como atleta para o cinema e para a televisão. O que o esporte te ensinou para contribuir na sua carreira audiovisual? O Edmilson Filho, que é o protagonista [de Shaolin], também é do taekwondo. E o Halder Gomes também é do taekwondo. Então nós viemos de uma geração que, como nós não tínhamos patrocínio para ir para campeonato e tudo, a nossa determinação em tentar sermos os melhores, para mostrar que a gente tem condição, eu acho que isso que a gente traz para a área da atuação. E o Halder é para a parte da direção. Fábio Goulart em "O Shaolin do Sertão 2" Ricardo Damito Essa determinação, essa disciplina, principalmente a disciplina. "O seu personagem vai ser de tal maneira", então eu vou atrás e quero que seja igual o que ele me pediu. Então eu acho que a disciplina da arte marcial e a nossa determinação nos treinos ajudam muito na área da atuação. O que foi mais difícil para você: conquistar um título internacional no taekwondo ou conquistar um espaço como ator? Eu acho que conquistar o espaço como ator é bem mais difícil, no meu caso. Porque eu não sou um ator formado, tecnicamente eu não sou formado. E no taekwondo eu domino muito mais, dominava facilmente, estava num estágio muito mais avançado do que os meus outros concorrentes, porque eu tinha preparador físico já na época e tudo, eu fui atrás dessas coisas. Então meu nível era um pouquinho mais alto. Eu tinha muito mais confiança. A minha confiança em entrar ali na hora da luta era muito alta. Já na atuação, você tem que saber sempre o lugar que você está. E eu sei o meu lugar. Então meu lugar é mais de coadjuvante, mais um elenco de apoio, de estar ali com eles. Por isso que para mim é um hobby. E isso é muito bom para mim, que eu saio da minha zona de conforto, que seria a parte de taekwondo, para ir para um desafio. Então é muito mais difícil para mim a parte da atuação do que a parte da luta. A preparação do primeiro foi muito difícil, mas tinha muito a ver com o atleta. Eu acho que foi nesse último filme [de Shaolin]. Porque, nesse último filme, o Tora Pleura se torna um ator, vamos dizer, principal. Ele é um dos principais. No outro ele era principal, mas ele era o vilão, chegava, lutava e pronto. Agora não, ele caminha com o protagonista durante o filme inteiro. Então essa parte da atuação eu tive que me dedicar bastante, nas falas, principalmente porque o filme todo é uma comédia. E o único que não é comediante, o personagem que não pode ser comediante, falar uma piada, uma coisa que soa mal, é o Tora Pleura. O Tora Pleura não pode contar uma piada como o Falcão conta uma piada. Não dá, não sai bem. Então ele tem que estar sério. E é muito difícil você ficar sério com as falas também sérias, com Falcão do lado, com Marcos Veras, com Edmilson do lado. Então esse foi o maior desafio. Fábio Goulart em "O Shaolin do Sertão 2" Ricardo Damito Depois de 10 anos do primeiro filme, você acha que se chegou mais preparado como ator? Foi o meu sexto trabalho. Eu fiz sete trabalhos com o Halder. E, nesse set, eu fui aprendendo muita coisa para chegar nesse bem preparado. Eu sempre trabalhei com o Halder, e ele não iria me chamar porque eu sou do taekwondo, porque eu sou amigo. Tanto que teve filmes que ele fez que eu nem fui, porque não tinha um personagem para mim. Então, quando ele chama, é porque ele tem certeza que eu vou poder devolver para ele aquilo que ele espera do personagem. Depois de tantos anos no esporte e no entretenimento, qual é o desafio profissional que ainda desperta sua vontade de começar algo novo? Uma novela. Eu gostaria de fazer uma novela para ver. Eu sei que é mais difícil e tal. Mas eu já fiz série, já fiz nos streamings da Globoplay, no Netflix. Já fiz o cinema, e vários tipos de personagens diferentes. Mas uma novela eu gostaria. Novela acho que é o grande desafio para mim agora. Todo dia gravando. Então é um desafio grande. Eu gostaria de estar ali para ver. Você precisou ganhar 15 quilos para interpretar Tora Pleura. Qual foi o maior desafio daquela preparação? Eu já tinha uma preparação física quando fazia para os campeonatos, tanto que o Halder, quando me chamou, ele falou: "Você vai se preparar como se você se preparou para o Pan-Americano e para o Mundial. É só você se preparar com aquela mesma disciplina que vai." E me mandou um esboço do Tora Pleura. Só que ele era muito grande, muito forte. E eu estava com 92 quilos, eu estava forte, mas estava seco. E quando eu vi aquilo, eu falei: "Nossa." Aí eu fui atrás de médico, fui atrás do meu preparador físico, ele falou: "Você vai ter que fazer isso, isso, isso." Aí foram três meses e meio que eu ganhei 14 quilos. Eu só treinava, dormia e comia para poder chegar lá. E o esporte me ajudou nisso, porque eu já tinha toda essa história, toda essa memória, principalmente memória muscular dos treinamentos que eu fazia antes. Foi só adaptar o treinamento e crescer. E a disciplina. O que você pode contar sobre esse segundo trabalho no filme "O Shaolin do Sertão"? Fábio Goulart em "O Shaolin do Sertão" Arquivo Bom, a caracterização é totalmente diferente. Dessa vez eu dei uma opinião para o Tora Pleura, como são 10 anos, para ele vir caracterizado, eu fiz uma homenagem a um wrestling americano, o Hulk Hogan. O Hulk Hogan morreu há pouco tempo, então eu estou igual ao Hulk Hogan, só que moreno. Então, tem aqui o cabelinho, tem a bandana, tem o bigodão, mas moreno. Então, eu fiz essa homenagem, isso é diferente na caracterização. E a diferença é que no primeiro ele era o vilão, o Tora Pleura, e agora ele é um técnico do Shaolin para enfrentar os outros lutadores e chegar assim a ser desafiado pelo campeão japonês, que é o Lyoto Machida, na final. E eu sou tipo que um protetor. Então, eu ajudo o Shaolin a ganhar as lutas às vezes. Depois de trabalhar em filmes e séries, existe algum projeto ou personagem que você ainda gostaria de fazer? Então, esse último agora ["A Grande Virada"], eu faço esse palhaço, ele é lutador, ele luta. Não é que ele é lutador, ele briga no filme, mas é um palhaço, tanto que nós não tiramos a maquiagem até o final, não vão saber que sou eu. Então, isso foi bacana, completamente diferente. E talvez fazer parte de um filme em que eu seja um pai, um avô, alguma coisa assim que lide com criança, já que eu lido com criança na parte de ajudar na educação, na disciplina dos meus alunos. Desde que eu comecei há 40 anos, já estou na terceira geração de alunos. O aluno cresceu, teve filho, o filho fez, cresceu, teve filho e agora o filho está lá. Então, são três gerações que eu dou aula. Então, você vai sabendo, pelo menos, lidar com as crianças. Então, eu gostaria de fazer isso em algum filme, alguma novela, ser um paizão, aquela coisa do pai, do avô. Mas tinha que ser um pai bem rígido. Um pai rígido para trazer também essa parte da disciplina. Você já conquistou títulos, mudou de país e construiu uma segunda carreira. O que ainda falta realizar profissionalmente? Faltam três trabalhos. Eu quero terminar com dez trabalhos. Porque eu comecei com 50 anos já. Então, eu queria terminar a minha carreira de ator, terminar com dez trabalhos. Esse é o meu objetivo. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/09/27/e-bem-mais-dificil-campeao-de-taekwondo-revela-desafio-ao-virar-ator-e-voltar-a-viver-tora-pleura.ghtml


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