Inteligência climática evita tragédias e reduz filas no Porto de Santos; entenda
18/02/2026
(Foto: Reprodução) Autoridade Portuária de Santos (APS) prevê a implantação de uma plataforma de previsão local das condições de mar e tempo
Fabrício Costa/A Tribuna Jornal
Capacidade de coletar, analisar e usar dados sobre clima e mudanças climáticas para orientar decisões práticas. Esse é o objetivo da inteligência climática, uma ferramenta que ganha adeptos em um contexto onde a operação portuária exige cada vez mais agilidade e precisão. A preocupação afeta empresas portuárias assim como gestoras de complexos portuários. E esse uso estratégico de dados e análises sobre o clima ajuda a prevenir desde desastres até planejar infraestrutura, agricultura e energia.
A Autoridade Portuária de Santos (APS) prevê a implantação de uma plataforma de previsão local das condições de mar e tempo para otimização do planejamento e operação das atividades portuárias.
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“Entre os objetivos, estão aprimorar o modelo de previsão, com um foco maior na previsão de ventos, onda, maré e corrente; visibilidade; transparência na comparação entre os dados medidos pelas estações e os modelos previstos, permitindo ajustes contínuos para garantir a precisão junto aos pontos críticos de segurança na navegação; aumento da segurança e eficiência das operações portuárias e melhoria na tomada de decisão relativa a questões meteorológicas”, lista a APS.
Em 2024, a gestora do cais santista firmou um acordo de cooperação visando ao desenvolvimento e implementação do i4cast, desenvolvido pela i4Sea. De acordo com o CEO da empresa, Mateus Lima, a inteligência climática parte da combinação dos dados e gráficos com o histórico da região. A empresa, com sede na Bahia, vem ganhando tração ao oferecer soluções por meio de uma plataforma com as condições de mar e tempo para otimização do planejamento das operações.
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“O Porto de Santos é um dos que tem mais tempo de espera, extremamente congestionado. A inteligência climática reduziu o tempo de espera de um de nossos clientes de sete para três dias. Então, ela é capaz de otimizar (a solução para) um gargalo que é o tempo de espera dos navios”.
As decisões vão desde o melhor momento para o fechamento do canal de navegação, por conta de condições climáticas adversas, à contratação ou não de um turno de trabalhadores para um período de trabalho. Ele cita um exemplo onde a decisão com base na inteligência climática é fundamental.
“Se um gerente de operações de um terminal de contêineres sabe que há 75% de chance de o Porto fechar à meia-noite — horário previsto para a chegada de um navio vindo de Paranaguá — ele precisa decidir como agir. Se o navio chegar nesse horário, pode ficar parado na barra, gerando custos e atrasos. Uma alternativa é antecipar a viagem”, pontua.
Inteligência climática evita tragédias e reduz filas no Porto de Santos
Fabrício Costa/A Tribuna Jornal
Movimentação de navios
A inteligência climática tem entrado na rotina dos terminais por exigências crescentes da operação logística no Porto de Santos. Um deles é a Santos Brasil, cuja preocupação com a otimização do tempo e ocupação dos berços tem sido benéfica para a movimentação.
“A gente seguia muito informações climáticas que existiam na internet. Só que a assertividade não era tão precisa. Foi quando nos apareceu uma plataforma que poderia dar essa previsibilidade. Então, começamos a personalizar a operação do terminal com esses cenários de mudanças climáticas”, afirma a diretora de Planejamento Operacional da Santos Brasil, Evelyn Lima.
Segundo ela, essa preocupação começou em 2021, por conta das restrições que existiam às manobras de navios maiores que começavam a operar em Santos. “Fomos identificando que o navio chegava na barra, a operação programada, equipamentos e pessoas requisitadas, o berço livre e o navio não conseguia entrar, aguardando uma próxima maré ou esperar o mau tempo passar. A ferramenta veio para equalizar isso”, relata.
A inteligência climática tem entrado na rotina dos terminais por exigências crescentes da operação logística no Porto de Santos
Fabrício Costa/A Tribuna Jornal
Evelyn cita um exemplo onde a inteligência climática foi importante para a otimização do tempo de um cliente. “O navio iria chegar no início do mau tempo. Ficar esperando na barra gera emissão de carbono e é um custo muito alto. O que ele resolveu? Ir primeiro para Paranaguá, onde havia berço livre, e em 48 horas seguir para Santos. É a confiança que o terminal dá para o armador de tomar decisões”.
Ela conta que possui um time que fica 24 horas por dia na coordenação, junto com os agentes dos navios. Cinco dias antes da chegada da embarcação é possível ter parâmetros sobre prováveis atrasos. “Então, entramos em contato com os armadores e questionamos se valeria fazer um transbordo aqui, ao invés de ficar preso no Sul”, aponta.
A diretora de Planejamento Operacional da Santos Brasil entende que, com a inteligência climática, é possível reduzir o tempo de um navio que está atrasado e acertar a rota dele. “Vale o investimento. Tem muitos recursos humanos pegando essas análises e materializando isso em uma tomada de decisão. Um time experiente olhando essa configuração de dados faz todo o diferencial”.