Justiça arquiva inquérito da morte do menino Ryan, de 4 anos; MP-SP abre investigação interna

  • 03/06/2026
(Foto: Reprodução)
Caso ocorreu no Morro São Bento, em Santos (SP). Ryan, de 4 anos, estava brincando na rua quando foi atingido. Redes sociais e Arquivo Pessoal A Justiça de Santos (SP) arquivou o inquérito policial que apurava a morte do menino Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, atingido por um disparo de um policial militar em 2024. A Polícia Civil concluiu que houve legítima defesa no caso. O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), porém, abriu um procedimento interno para seguir a investigação de forma autônoma. Ryan foi baleado durante uma operação no Morro São Bento. De acordo com a PM, os agentes trocaram tiros com cerca de dez suspeitos após uma perseguição a dois adolescentes que estavam em uma moto. Gregory Ribeiro Vasconcelos morreu, enquanto o outro menor ficou ferido. Durante a ação, Ryan acabou atingido no abdômen enquanto brincava na rua. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. O relatório final das investigações, feito pela Delegacia de Homicídios, concluiu que o disparo partiu em legítima defesa da arma do PM. À época, o delegado Thiago Bonametti afirmou ao g1 que não havia como atribuir culpa ou imprudência aos agentes na ocasião. O relatório foi encaminhado para análise do MP-SP, que não ofereceu denúncia contra os policiais com o conteúdo apresentado. No entanto, o órgão optou por abrir um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para colher novas provas. Entre os pontos questionados, a decisão levou em consideração que o Inquérito Policial Militar (IPM) reconheceu a possibilidade de crime doloso por parte policial que fez o disparo durante o confronto. Por ser uma morte civil, porém, o caso não poderia ser julgado pela Justiça Militar. Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, morreu após ser atingido por um disparo durante uma operação no Morro São Bento, em Santos (SP) Arquivo Pessoal A Justiça Militar pediu para que o caso fosse julgado pelo Júri na Justiça Comum. À Justiça Comum, no entanto, os policiais se reservaram ao direito de ficar em silêncio. O depoimento deles, portanto, não foi colhido pela Polícia Civil. Com o arquivamento do inquérito policial, na última segunda-feira (1), a Polícia Civil não possui mais atribuições para requisitar exames, depoimentos e perícias. Toda a investigação do caso será presidida pela própria Promotoria de Justiça do MP, o que ocorre desde março de 2026. Assim que concluído o PIC, o órgão poderá oferecer denúncia contra os PMs ou se manifestar pelo novo arquivamento do caso. O g1 solicitou um posicionamento ao MP e à Secretaria de Segurança Pública (SSP), mas não teve retorno. Defesa Em nota enviada ao g1, a advogada Andrea dos Santos Lemos, que representa a família de Ryan, repudiou a conclusão final do inquérito policial que apurou a morte do menino. "O relatório que resultou no arquivamento definitivo do caso é uma tentativa de legitimar a versão dos policiais militares e encobrir as verdadeiras circunstâncias do assassinato de uma criança", disse. Para a advogada, a decisão pelo arquivamento "reforça a parcialidade e o descaso da investigação policial com a busca pela verdade". A defesa, no entanto, destacou que "a esperança e a confiança da família" se concentram no PIC instaurado pelo MP. "Confiamos plenamente no trabalho do ilustre Promotor de Justiça para conduzir uma análise rigorosa, que certamente levará os verdadeiros responsáveis ao banco dos réus. Não haverá paz sem justiça", destacou. Ryan perdeu o pai baleado durante a Operação Verão Legítima defesa O laudo da Polícia Técnico-Científica de São Paulo havia confirmado que o tiro partiu da arma do cabo da PM Clovis Damasceno de Carvalho Junior. As investigações apontaram que o menino foi atingido a vários metros de distância do local do confronto. De acordo com o relatório, o projétil que atingiu Ryan apresentava abaulamento (uma deformidade) e chegou com energia final reduzida, constatando que a hipótese mais provável é de que o menino tenha sido atingido após o projétil ricochetear. A Polícia Civil concluiu que essas evidências revelam a impossibilidade de que a morte de Ryan fosse previsível aos militares que disparavam em legítima defesa. Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, morreu após ser baleado no Morro São Bento, em Santos (SP) Arquivo Pessoal Suspeitos Ainda no relatório, a corporação destacou que o exame pericial do local apontou que houve confronto entre os policiais e os dois adolescentes. Os elementos trouxeram credibilidade à versão dos PMs. Veja algumas das evidências abaixo: ➡️Armas de fogo foram encontradas ao lado dos suspeitos; ➡️O exame de comparação balística apontou que também foram feitos disparos das armas que não eram dos policiais; ➡️ Vídeos publicados por Gregory nas redes sociais mostram o jovem portando armas de fogo e provocando a atuação policial, segundo a polícia; ➡️O suspeito sobrevivente confessou que atuava no tráfico de drogas com o comparsa morto. De acordo com ele, a dupla abastecia os pontos de venda de drogas. Relembre o caso Menino de 4 anos é morto em confronto policial em Santos, SP VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/06/03/justica-arquiva-inquerito-da-morte-do-menino-ryan-de-4-anos-mp-sp-abre-investigacao-interna.ghtml


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