Lugar 'mágico' no litoral de SP reúne poema premonitório, caminho de Dom Pedro e tirolesa a 150m de altura

  • 24/01/2026
(Foto: Reprodução)
Conheça o Parque Caminhos do Mar, na Estrada Velha de Santos Há lugares que parecem escondidos à vista de todo mundo. Na Serra do Mar, um trecho pouco explorado por moradores da própria Baixada Santista guarda um encontro raro entre história, natureza e aventura: um roteiro com vista ampla para cidades do litoral, monumentos centenários em meio à Mata Atlântica, uma tirolesa gigante suspensa sobre o vale — e até um poema de 1904 que "previu" o automóvel como futuro do Brasil. O cenário é o Parque Caminhos do Mar, núcleo do Parque Estadual da Serra do Mar que preserva a Estrada Velha de Santos, onde o visitante percorre mirantes, estruturas históricas e trechos ligados à formação do Estado de São Paulo e às rotas que, durante séculos, conectaram o planalto ao Porto de Santos. Parque Caminhos do Mar é o núcleo do Parque Estadual da Serra do Mar que preserva a Estrada Velha de Santos Reprodução/TV Tribuna ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. "É um roteiro super completo. Você conhece a Estrada Velha de Santos, passa pelos mirantes que mostram a Baixada Santista, tem monumentos, tem tirolesa… e cada dia é uma paisagem diferente", conta a historiadora Gabrielle Chiappani, monitora do parque. Uma das formas mais procuradas de conhecer o trajeto é por meio de um passeio monitorado a bordo de um UTV 4x4, um veículo off-road que percorre a estrada com paradas estratégicas para visitação e explicações. "O carro é uma atração super divertida. É um UTV 4x4 e o roteiro dura cerca de duas horas. São quatro quilômetros até a metade do caminho, onde vamos parando e falando sobre os monumentos. Depois são mais quatro quilômetros voltando direto", explica Gabrielle. Passeio no Parque Caminhos do Mar é feito a bordo de um UTV 4x4, um veículo off-road que percorre a estrada com paradas estratégicas. Reprodução/TV Tribuna É nesse caminho que a paisagem começa a "abrir", como se a serra fosse revelando, aos poucos, a Baixada lá embaixo. Em dias mais claros, o passeio entrega um dos pontos mais impressionantes do circuito: a possibilidade de observar Santos, São Vicente, Praia Grande e Cubatão de um mesmo ângulo — e, dependendo da visibilidade e do ponto exato do trajeto, ampliar essa sensação de "mapa vivo" para ainda mais áreas da região. "A gente tem mirantes que mostram a Baixada Santista praticamente inteira. Quando o tempo ajuda, a vista é incrível", diz Gabrielle. Mirantes do Parque Caminhos do Mar mostram a Baixada Santista do alto Reprodução/TV Tribuna Poema premonitório Entre as paradas, uma das mais emblemáticas é o Pouso Paranapiacaba, um monumento de pedra que carrega tanto a força do visual quanto o peso simbólico do lugar. "Paranapiacaba vem de uma palavra indígena e significa 'lugar onde se avista o mar'. Quando não tem neblina, dá pra ver o mar daqui", conta a monitora. O pouso integra o conjunto de monumentos inaugurados em 1922, ano em que a estrada ganhou estruturas celebrativas em homenagem ao centenário da Independência do Brasil. Poema estampado em azulejos, assinado por Afonso Arinos e datado de junho de 1904, parece ter antecipado um destino econômico e cultural do país. Reprodução/TV Tribuna Ali, além da vista, há um detalhe que costuma surpreender até quem já conhece bem o litoral: um poema estampado em azulejos, assinado por Afonso Arinos e datado de junho de 1904, que parece ter antecipado um destino econômico e cultural do país. Entre as frases, uma delas salta aos olhos como se tivesse sido escrita para o século XXI: "o automóvel será o principal meio de locomoção no futuro". "Esse monumento representa a República, mostrando progresso. Tem um mapa de rodagem com as principais rotas do Estado de São Paulo, porque, até então, eram as ferrovias que movimentavam o Brasil. Aqui já aparece essa ideia de futuro — inclusive com um poema nos azulejos falando que os automóveis seriam o futuro da nação", relata Gabrielle. Segundo ela, o ponto também já funcionou como espaço de apoio ao viajante. "No passado funcionava um restaurante. E tem uma bica que era usada para jogar água e resfriar o radiador do carro", conta — um detalhe simples, mas que dá a medida do tempo em que o trajeto ainda era um caminho real para deslocamentos e travessias. Pouso Paranapiacaba é um monumento de pedra que carrega tanto a força do visual quanto o peso simbólico do lugar Reprodução/TV Tribuna Museu a céu aberto Ao longo do percurso, a sensação é a de caminhar por um museu a céu aberto. São oito monumentos inaugurados em 1922, hoje preservados como parte do patrimônio histórico paulista. "A gente vai parando e contando a história de cada um. É um lugar que mistura conhecimento com experiência", diz a monitora. Passeio no Parque Caminhos do Mar apresenta a paisagem da Baixada Santista a bordo de um UTV 4x4 Reprodução/TV Tribuna E há um capítulo dessa história que leva ainda mais para trás: a Calçada do Lorena, um dos trechos mais conhecidos do Caminhos do Mar. Construída em 1792, ela marcou uma evolução decisiva na ligação entre o planalto e o litoral, facilitando o transporte de mercadorias e o fluxo econômico rumo ao porto. "Esse trecho foi feito em homenagem ao governador Bernardo Maria José de Lorena. Ele recebeu um financiamento da coroa de Portugal para fazer um trajeto que levava mercadorias do centro de São Paulo até o Porto de Santos. A calçada levou o nome dele", explica Gabrielle, destacando que o parque mantém a memória dessa engenharia histórica e das travessias realizadas ali durante séculos. Calçada do Lorena é um dos trechos mais conhecidos do Caminhos do Mar. Reprodução/TV Tribuna Outro ponto marcante do roteiro, segundo a monitora, é o Rancho da Maioridade, que relembra um período-chave do Império brasileiro. "É uma homenagem à Estrada da Maioridade, que recebeu esse nome por causa da maioridade de Dom Pedro II. Ele passou por essa estrada quando subiu ao trono com 15 anos", conta. O local preserva painéis em azulejos que narram episódios ligados à passagem pela serra e à época imperial. "O monumento inteiro representa o Império. Tem coroas, o brasão da Casa Imperial brasileira. São azulejos com mais de 100 anos contando a história", afirma. "E tem também uma garagem de pedra. Se o carro apresentasse algum problema, eles colocavam dentro e os mecânicos arrumavam. É como uma oficina no meio da estrada". Rancho da Maioridade relembra um período-chave do Império brasileiro. Reprodução/TV Tribuna Contato com a natureza A visita não é só um mergulho no passado — ela também entrega uma dose forte de adrenalina. Para quem quer sentir a serra de um jeito completamente diferente, o Caminhos do Mar abriga a tirolesa Voo da Serra, com 500 metros de extensão e 110 metros de altura, instalada sobre o vale. "Eu já saltei na tirolesa umas 100 vezes. E é sempre diferente. Já voei com vista incrível, já voei nas nuvens, com neblina. Cada dia é uma atração nova", conta Gabrielle. A serra, porém, não é feita só de monumentos e aventura: é também habitat e refúgio. A monitora diz que o parque abriga espécies de grande porte e que o monitoramento de fauna ajuda a entender a vida que existe ali dentro, longe do barulho das cidades. "Tem onça-pintada e onça-parda. A parda não aparece muito por ser mais noturna, mas a gente observa pelas câmeras. Vira e mexe a gente vê ela andando, marcando território, arranhando árvores. Você saber que está dentro de um lugar seguro para os animais é muito bom. Temos todos os animais catalogados", relata. Tirolesa Voo da Serra tem 500 metros de extensão e 110 metros de altura Reprodução/TV Tribuna E a experiência não fica restrita ao olhar do guia. Para quem visita por conta própria, o passeio vira um tipo de pausa. Um lugar onde o tempo desacelera e a cabeça parece respirar. "Essa caminhada pra mim é importante pra desestressar, fazer um exercício. Eu adoro vir aqui. Venho há 10 anos. A descida é gostosa, a subida é sacrificante", diz o empresário Amilton de Luca, frequentador do parque. Já a analista financeira Elaine Vieira, que mora em São Paulo, afirma que o contato com a Mata Atlântica é o principal motivo para voltar. "Vir pra cá é maravilhoso. Ter contato com a natureza é muito bom. Já vim duas vezes, andei de tirolesa e agora resolvi andar pela serra para ver como é e limpar a mente. A caminhada é tranquila", conta. Contato com a Mata Atlântica encanta turistas no Parque Caminhos do Mar Reprodução/TV Tribuna O Parque Caminhos do Mar passou por períodos de abandono e restrição de acesso ao longo da história mais recente, especialmente após a construção da Via Anchieta, em 1947, quando a antiga estrada deixou de ser a principal ligação entre o litoral e o planalto. O espaço foi reaberto para visitação e voltou a receber turistas, escolas e grupos organizados, que hoje percorrem um trecho que mistura ruínas, memória e o verde denso da serra. "Durante a semana, recebemos muitas escolas. São muitos grupos. E nos fins de semana é mais a visitação espontânea", afirma Gabrielle. Como visitar? O Parque Caminhos do Mar funciona de quarta a domingo, das 8h às 17h. Segundo a monitora, o ingresso custa R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada). Os bilhetes podem ser comprados pelo site www.caminhosdomar.com.br. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/01/24/lugar-magico-no-litoral-de-sp-reune-poema-premonitorio-caminho-de-dom-pedro-e-tirolesa-a-150m-de-altura.ghtml


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