Mãe pede Justiça um ano após a morte de jovem baleado na cabeça por PM: 'choro todos os dias'
06/02/2026
(Foto: Reprodução) Ruan tinha 22 anos quando morreu, após perseguição policial em Guarujá (SP)
Arquivo pessoal
A morte de Ruan Corrêa Arruda da Silva, de 22 anos, baleado na cabeça por um PM durante perseguição policial em Guarujá, no litoral de São Paulo, completa um ano nesta sexta-feira (6). Ao g1, a mãe da vítima contou que luta por justiça. O policial responsável pelo disparo responde em liberdade e deve passar por audiência de instrução no próximo dia 24.
“Esse ano foi muito difícil, eu posso te dizer que nunca imaginei na vida que eu passaria por isso [...]. A dor e a saudade estão presentes todos os dias, não tem um dia que seja menos. A maioria das madrugadas são longas, principalmente desses últimos dias”, afirmou a cabeleireira Juliana Corrêa Arruda Felipe, de 39 anos, em entrevista ao g1.
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O jovem morreu após ser baleado e bater em um carro estacionado enquanto pilotava uma motocicleta no bairro Paecara. Uma câmera de monitoramento flagrou o acidente (veja abaixo).
Motociclista é arremessado após bater em carro estacionado durante perseguição policial
O caso ocorreu um dia antes do fim da Operação Verão em 2025. Revoltada, a família esteve na cerimônia de encerramento e fez um apelo ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O policial disse que a arma disparou “acidentalmente” fora da viatura. Apesar disso, responde a processo por homicídio. De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a audiência de instrução, que definirá se ele irá ou não a júri popular, está marcada para 24 de fevereiro.
Ao g1, a mãe de Ruan revelou esperar que o agente seja preso. “Todo dia eu choro. [...] Fico revivendo aquele dia o tempo todo o ano inteiro. Eu fecho o olho, vejo o meu filho morto e são dias difíceis”, lamentou.
Legado
Juliana disse sentir saudade do filho todos os dias
Arquivo Pessoal
Segundo Juliana, Ruan era trabalhador e sonhava em comprar uma casa para a avó. Durante o dia, atuava como auxiliar de campo e, à noite, trabalhava como motoboy freelancer.
“Ele era muito independente, regrado e responsável com horário”, lembrou Juliana, dizendo ainda que o filho também era engraçado e brincalhão.
Ruan era o mais velho de quatro irmãos e considerado protetor. Gostava de futebol e videogame, mas sua paixão era a motocicleta. “Se olhar a fatura do cartão de crédito, era só apetrechos para a moto dele”, disse Juliana.
Procurada pelo g1, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Relembre o caso
De acordo com o boletim de ocorrência, PMs flagraram motociclistas fazendo manobras na madrugada de quinta-feira (6), no bairro Paecara. Ainda segundo o BO, os suspeitos fugiram e Ruan foi acompanhado pela equipe. Ao entrar em uma rua, o policial afirmou que a arma disparou “acidentalmente”.
Ruan, que usava capacete, se chocou com um carro estacionado e caiu. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas o jovem morreu após ser levado ao Hospital Santo Amaro.
O corpo tinha ferimento na têmpora esquerda. O boletim foi atualizado para incluir o crime de homicídio, e o policial é investigado pela morte.
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