Navio histórico que afundou no Porto de Santos passará por teste de reflutuação; entenda
08/05/2026
(Foto: Reprodução) Vídeo mostra navio inclinando no fundo do estuário no Porto de Santos, SP
O navio Prof. W. Besnard, que afundou no cais do Valongo após acumular água de chuva no início de março, vai passar por um teste de reflutuação na próxima semana no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. Com custo de R$ 8,6 milhões, a operação depende da condição da maré para ser executada pela Marfort Serviços Marítimos, empresa contratada em caráter emergencial pela Autoridade Portuária de Santos (APS).
O navio afundou em 13 de março, mas parte da estrutura permanece fora da água por ter encostado no fundo do estuário. Após o incidente, a Capitania dos Portos declarou situação emergencial e a APS contratou a Marfort para a retirada do navio.
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De acordo com o diretor da empresa responsável, Alexandre Salamoni, a embarcação foi vedada e 13 bombas de sucção foram instaladas para retirar a água acumulada, permitindo a reflutuação de forma natural -- elas serão acionadas quando a condição da maré permitir a ação.
“Vai saindo a água do navio, vai entrando o ar e vai tendo força para reflutuar”, explicou Salamoni, em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo.
Bombas de sucção foram instaladas no navio Professor W. Besnard, que afundou no Porto de Santos
Diego Bertozzi/TV Tribuna
Datas
A previsão era que o trabalho fosse realizado nesta sexta-feira (8), mas as condições do mar foram desfavoráveis. “A maré tem ficado baixa entre 30 e 40 minutos. É insuficiente para que a gente possa ligar todas as bombas, preparar todas as bombas e começar os trabalhos também”, afirmou o diretor da empresa.
Segundo Salamoni, a expectativa é que o serviço ocorra na próxima semana, pois a maré deve permanecer baixa por pelo menos duas horas para execução do serviço. "A previsão é que na semana que vem, entre o dia 11 e o dia 14, a maré tenha uma melhora”, disse o diretor.
Navio Professor W. Besnard inclina e fica apoiado no fundo do estuário no Porto de Santos
Silvio Luiz/A Tribuna Jornal
De acordo com ele, a empresa estuda mais alternativas para facilitar a reflutuação, dando maior sustentabilidade para as bombas. No entanto, a prioridade da equipe é que todo processo seja executado de forma segura.
"Primeira questão de tudo é a segurança, realmente. Sem que a gente possa ter isso de apressar nada. A gente pode fazer quantas tentativas forem necessárias. Nosso pessoal está mobilizado, nosso equipamento está mobilizado”, disse.
Salamoni explicou ainda que o plano de execução feito pela empresa já foi aprovado pela Marinha do Brasil. “Agora, é realmente a janela de oportunidade aparecer e a gente fazer esse trabalho”, finalizou.
Próximos passos
Segundo o diretor da Marfort, a partir do momento em que o navio puder reflutuar, será realizada uma inspeção em todo o casco para avaliar as condições de navegabilidade.
Em seguida, a embarcação deverá ser encaminhada para o estaleiro e entregue à APS. “Para que possa fazer o estudo e a destinação que e assim convier”, finalizou Alexandre Salamoni.
Navio histórico inclina e fica apoiado no fundo do estuário no Porto de Santos
Embarcação histórica
Com 49,3 metros de comprimento, o Besnard foi construído por encomenda do governo paulista e foi lançado ao mar em 1966.
Conforme noticiado pelo g1, a embarcação passou pela costa brasileira, fez expedições no arquipélago de Cabo Verde e realizou mais de 260 viagens para a formação de pesquisadores, passando por mais de 10 mil pontos de coleta para estudos científicos.
O navio levou as primeiras equipes de pesquisa brasileiras à Antártica. Depois disso, passou por duas reformas na década de 90 e um grande incêndio em 2008, que o deixou inoperante.
Fora de operação, a embarcação passava por reformas após ser doada à ONG Instituto do Mar (Imar).
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