Quiosques, bares e restaurante na orla de Praia Grande entram na mira de operação contra núcleo ligado ao PCC
03/09/2026
(Foto: Reprodução) Quiosques, bares e restaurante na orla de Praia Grande entram na mira de operação contra núcleo ligado ao PCC
Carlos Abelha/TV Tribuna
O núcleo do Primeiro Comando da Capital (PCC) investigado na Operação Helmintos, deflagrada nesta quinta-feira (3), movimentou cerca de R$ 1 bilhão com imóveis de luxo, quiosques públicos e empresas de fachada para lavar dinheiro do tráfico de drogas em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
Quatro homens são investigados pelo esquema: Anderson Roberto Braghine (conhecido pelo apelido de 'Fio'), Alexander Miguel da Silva (Gordão), Leonildo Marinho de Andrade (Nenê) e Ronaldo Yuzo Sekiya (Japonês). Fio e Nenê foram presos durante a operação nesta quinta. O g1 não havia localizado a defesa dos suspeitos até a última atualização desta reportagem.
Em nota, a Prefeitura de Praia Grande informou que não houve cumprimento de mandado de busca e apreensão nas dependências da administração municipal e declarou que permanece à disposição das autoridades para prestar informações (veja o posicionamento completo abaixo).
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Agora no g1
Investigação
'Fio’, ‘Gordão’, 'Japonês’ e ‘Nenê’ são alvos dos mandados de prisão da Operação Helmintos
Polícia Civil
Segundo a Polícia Civil, a atuação da organização prejudica a livre concorrência e promove o domínio de mercado. A investigação também identificou que o grupo atuava de forma colaborativa com o PCC por meio de diferentes frentes.
A principal delas era a aquisição de imóveis de luxo e residências de alto padrão. Para ocultar os verdadeiros donos, o grupo utilizava escrituras particulares e cadeias de procurações em nome de familiares e "testas de ferro" (pessoas que 'emprestam o próprio nome').
O esquema também envolvia o domínio funcional de ao menos quatro quiosques públicos na cidade. O grupo utilizava empresas de fachada, como choperias, bares e restaurantes, para integrar o dinheiro ilícito à economia formal. Os nomes dos estabelecimentos não haviam sido divulgados oficialmente até a última atualização desta reportagem.
Ainda conforme as investigações, o grupo fraudava licitações na prefeitura e financiava agentes políticos para tentar dominar os poderes municipais. Para fazer o esquema funcionar, o núcleo era dividido em funções específicas:
As chefias, apontadas como Anderson Roberto Braghine (Fio) e Alexander Miguel da Silva (Gordão), comandavam a captação de valores do tráfico e a lavagem de capitais por meio de imóveis, empresas e empreendimentos fantasmas.
Abaixo dos chefes, os principais operadores financeiros, apontados como Leonildo Marinho de Andrade (Nenê) e Ronaldo Yuzo Sekiya (Japonês), introduziam dinheiro em espécie no sistema bancário, processo chamado de "capitalização", e redistribuíam os valores.
Todos eles tiveram a prisão temporária decretada e foram alvos de mandados. Havia, também, operadoras responsáveis pela ocultação do dinheiro ilícito e um núcleo focado exclusivamente na lavagem por meio de operações imobiliárias e envio ao exterior.
'Fio', 'Gordão', 'Japonês' e 'Nenê': quem é quem na rede que a polícia diz ter lavado R$ 1 bilhão
Infográfico mostra como funcionava o esquema, segundo a Polícia Civil
Arte/g1
Outros investigados
Além dos quatro alvos de mandados de prisão, a investigação do Deinter 6 apontou a participação de outras seis pessoas (cinco mulheres e um homem), que são investigadas por atuação na quadrilha.
Uma das suspeitas é sócia de um quiosque em Praia Grande e teria declarado renda de R$ 3,3 mil, enquanto movimentou R$ 51,2 milhões. Segundo a investigação, ela é esposa de um dos chefes da organização e estaria fora do Brasil.
Outras duas mulheres também são esposas dos integrantes do esquema, enquanto uma é ex-companheira de um deles. O núcleo ainda envolve pessoas jurídicas (quiosques e empresas) usadas como instrumento de integração.
Operação Helmintos cumpre mandados em Praia Grande
Polícia Civil
Helmintos
A Operação Helmintos teve o nome escolhido em referência à atuação considerada parasitária do grupo sobre a economia local, com possível prejuízo à livre concorrência e utilização de atividades comerciais para beneficiar a organização criminosa.
Segundo a corporação, as investigações prosseguem sob sigilo para identificar outros envolvidos e esclarecer toda a extensão patrimonial, econômica e política do esquema.
Operação Helmintos cumpre mandados em diversos endereços de Praia Grande
Polícia Civil
O que diz a prefeitura?
Em nota, a Prefeitura de Praia Grande informou que não houve cumprimento de mandado de busca e apreensão nas dependências da administração municipal.
"Um agente da Polícia Civil esteve na Prefeitura solicitando informações acerca de uma licitação específica para exploração de um único quiosque situado na orla", diz o posicionamento.
Ainda segundo a prefeitura, a administração permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todas as informações necessárias.
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