Santos anuncia inventário de gases e cria observatório climático
26/02/2026
(Foto: Reprodução) O segundo encontro do projeto Agenda Santos 500+ debateu Condições Climáticas com a presença de especialistas
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A Prefeitura de Santos realizará ainda neste ano um inventário de emissões de gases de efeito estufa e pretende instituir um observatório de mudanças climáticas no Município. As medidas foram anunciadas durante o segundo encontro do Fórum Santos 500+, realizado no auditório do Grupo Tribuna.
A iniciativa integra o processo de atualização do Plano Municipal de Ação Climática (Pacs) e busca estruturar políticas públicas com base em dados técnicos e evidências científicas.
De acordo com o secretário adjunto de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Gabriel Miceli, o inventário permitirá identificar a quantidade de carbono e outros gases emitidos na Cidade. "A importância do inventário está atrelada à própria existência do Pacs, para que possamos estabelecer indicadores e metas", afirmou. Segundo ele, uma empresa especializada será contratada para realizar a análise dentro de protocolos internacionais.
Abertura e dados científicos
A abertura do encontro foi conduzida pelo professor Ronaldo Christofoletti, que participa de pesquisas na Estação Comandante Ferraz, na Antártida. Ele destacou a importância do investimento em ciência e da transparência dos dados climáticos.
Professor Ronaldo Christofoletti participou do evento direto da Antártida
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"É preciso investimento e monitoramento desses dados sobre o clima, e que eles sejam públicos, permitindo que a ciência faça a sua parte", afirmou. Para o pesquisador, a adaptação às mudanças climáticas exigirá transformações estruturais e envolvimento da sociedade.
Infraestrutura e resiliência
O professor Rafael Pileggi, da Escola Politécnica da USP, ressaltou que as cidades precisam ser planejadas de forma integrada, considerando aspectos aerodinâmicos e a distribuição de água, luz e energia.
"Você não faz mais uma cidade só edificando. Elas têm que ser pensadas do ponto de vista da infraestrutura e da eletrificação da economia. Em alguns locais, será preciso repensar o zoneamento", destacou.
No campo da proteção costeira, o professor Tiago Zenker Gireli, da Unicamp, apresentou resultados do projeto-piloto das geobags na Ponta da Praia. Segundo ele, a área que perdia entre sete e dez metros de faixa de areia por ano passou a registrar ganho médio de sete metros, ainda que abaixo da linha da maré.
Gireli defendeu a ampliação das barreiras submersas para outros trechos da orla em erosão e avaliou que não há previsão de desaparecimento da Ponta da Praia até 2100, embora eventos extremos possam causar transtornos.
Investimentos e gestão de risco
O diretor-presidente da Sabesp, Carlos Piani, afirmou que a companhia antecipou investimentos para reforçar a segurança hídrica da região, diante do cenário de escassez de chuvas nos últimos anos.
Já o superintendente de Governança, Riscos e Compliance da Autoridade Portuária de Santos, Cláudio Bastos, destacou a importância do VTMIS, sistema de gerenciamento do tráfego de navios, aliado a soluções de inteligência climática para aprimorar a tomada de decisões no Porto.
Arminda Augusto,Rafael Pileggi, Carlos Piani, Cláudio Bastos, Daniel Onias, Gabriel Miceli, Tiago Zenker Gireli e Roberta Lemos.
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Eventos extremos e integração de dados
Dados federais indicam o registro de dez eventos climáticos extremos em Santos nos últimos 30 anos, o mais recente em 2023. O diretor da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias, apontou subnotificação na plataforma nacional, já que muitos registros dependem da decretação de situação de emergência.
Segundo ele, o Município mantém mapeamento constante das ocorrências e defende maior integração entre sistemas municipais, estaduais e federais para agilizar a transferência de informações.
O observatório climático proposto pela Prefeitura deverá reunir dados já produzidos por órgãos como Defesa Civil e Autoridade Portuária, além de universidades, com o objetivo de consolidar informações e subsidiar políticas públicas baseadas em evidências.